A Operação Fluxo Oculto: O Que Saber
A Receita Federal, juntamente com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de São Paulo, lançou na manhã do dia 28 de maio de 2026 a operação denominada Fluxo Oculto. Essa iniciativa é direcionada a uma investigação detalhada envolvendo atividades ilícitas no setor de combustíveis. Mandados de busca e apreensão foram executados em diversas cidades, incluindo Paulínia, Atibaia, Itupeva e Rafard, com o objetivo de desmantelar um esquema de fraudes e sonegação fiscal.
Investigação Sobre Lavagem de Dinheiro
As investigações revelaram que um grupo criminoso utilizava fintechs, que atuavam como instituições financeiras paralelas, para disfarçar transações financeiras ilícitas. Estas fintechs possibilitavam a movimentação de valores sem a devida rastreabilidade, favorecendo a lavagem de dinheiro oriundo de atividades ilegais. O foco das apurações está na utilização destes serviços para facilitar operações de sonegação e aliciamento de recursos públicos.
Impacto da Sonegação Fiscal no Setor
A sonegação fiscal tem um impacto profundo na economia, afetando não apenas os cofres públicos, mas o funcionamento saudável do mercado. A operação em questão identificou que o esquema de fraudes observado envolvia um volume de patrimonialização que superava R$ 205 milhões, representando um crescimento de mais de 200% em um período de aproximadamente um ano. Esses valores desviados comprometem toda a cadeia, minando a concorrência leal e comprometendo a qualidade dos serviços prestados no setor de combustíveis.

O Papel das Fintechs na Fraude
As fintechs se mostraram essenciais na execução das fraudes descobertas. Elas foram utilizadas para realizar compensações financeiras entre distribuidoras e postos de combustíveis, além de facilitar pagamentos e investimentos ilícitos. A descoberta de pelo menos seis novas fintechs associadas a este esquema ocorreu durante as investigações, ampliando a compreensão sobre a complexidade e sofisticação do esquema criminoso.
Adulteração de Combustíveis: Entenda
A adulteração de combustíveis é outra linha investigativa da operação, onde foi identificada a inserção de solventes, especialmente a nafta petroquímica, em combustíveis comercializados. Essa prática, além de ilegal, representa riscos à saúde e segurança da população. O grupo alvo da operação se utilizava de empresas de fachada para ocultar a verdadeira destinação dos solventes, que eram desviados para o Grande São Paulo.
Mandados de Busca e Apreensão em Diversas Cidades
As ações da operação incluíram o cumprimento de 59 mandados de busca e apreensão, que foram realizados em cinco estados brasileiros: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A capital paulista e outras 12 cidades no estado foram cenário das investigações, visando locais estratégicos para a localização de bens e evidências das práticas fraudulentas.
Cidades Alvo: Paulínia, Atibaia, Itupeva e Rafard
Os municípios de Paulínia, Atibaia, Itupeva e Rafard foram pontos centrais da operação, com alvos sendo estabelecimentos que realizavam atividades ilegais relacionadas ao armazenamento e comercialização de combustíveis adulterados. A escolha dessas localidades está vinculada ao histórico de operações desse grupo criminoso, que se aproveitava da infraestrutura de logística da região.
Desvio de Solventes e Empresas-Fantasma
O desvio de solventes e a criação de empresas-fantasma foram práticas comuns no esquema, onde indivíduos em situações de vulnerabilidade social eram utilizados para criar jurídicas que, na realidade, não realizavam transações legítimas. A colaboração entre o MPSP e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) foi fundamental para mapear e desmantelar esses pontos de venda falsas, que serviam de fachada para a operação criminosa.
O Patrimônio de R$ 205 Milhões em Questão
O patrimônio investigado, que ronda os R$ 205 milhões, é um reflexo das operações criminosas que se espalham por diversos âmbitos do comércio de combustíveis. Os ativos, que tiveram um crescimento significativo nos últimos anos, foram objeto de busca, tendo como objetivo a apreensão e posterior devolução ao Estado, como um modo de reparação pelos danos causados.
Implicações para o Mercado de Combustíveis
As repercussões da Operação Fluxo Oculto ainda são incertas, mas certamente contribuirão para uma maior fiscalização do mercado de combustíveis. A limitação de atividades ilegais não apenas visa restaurar a ordem fiscal, mas também pode abrir espaço para uma atuação mais transparente e saudável, beneficiando tanto consumidores quanto empresas que atuam dentro da legalidade. As ações coordenadas entre instituições e órgãos governamentais prometem um futuro mais seguro e justo para o setor de combustíveis no Brasil.

