Proibição de Nomear Bens Públicos com Nomes de Pessoas Vivas
A norma que proíbe a atribuição de nomes de indivíduos vivos a órgãos, serviços ou bens públicos reflete um compromisso com os princípios da moralidade e impessoalidade na administração pública. Essa prática é fundamental para evitar qualquer conotação de autopromoção e garantir a igualdade de tratamento entre cidadãos.
A Decisão do Juiz e Seus Impactos
Em uma recente sentença, o juiz Egon Barros de Paula Araújo, da 1ª Vara Cível da Comarca de Atibaia (SP), considerou que a utilização do nome de uma ex-primeira-dama em equipamentos públicos infringe esses princípios. O município foi ordenado a retirar a homenagem e descontinuar o uso do nome em todo tipo de comunicação oficial.
O Caso da Ex-Primeira-Dama de Atibaia
Dentre os casos analisados, destaca-se o Serviço de Assistência Especializada (SAE) denominado como “SAE Sumico Ono”, em homenagem a Sumico Ono, ex-primeira-dama que participou da gestão do ex-prefeito Takao Ono. Embora o decreto que estabelecia essa denominação tenha sido revogado, a manutenção do nome em documentos e sistemas públicos continuou a gerar controvérsia legal.

Princípios da Impessoalidade e Isonomia
A appliquer-se o princípio da isonomia, todos os cidadãos devem receber tratamento igualitário. Nomear um bem público em homenagem a uma pessoa viva, especialmente uma figura pública, compromete essa igualdade e possibilita a percepções de favorecimento.
Consequências da Publicidade Indevida
A manutenção do nome da ex-primeira-dama em veículos oficiais não só contraria a decisão judicial, mas também perpetua uma imagem que fere as diretrizes da legalidade que regem o serviço público. A publicidade indevida, portanto, traz o risco de comprometer a credibilidade da administração municipal.
História da Denominação de Bens Públicos
A tradição de nomear edificações e espaços públicos em homenagem a pessoas que faleceram promove uma memória coletiva na sociedade. No entanto, a referida prática em relação a indivíduos vivos se encontra estritamente regulada, devendo ser interpretada à luz dos princípios de impessoalidade e igualdade.
A Revogação do Decreto Anterior
Apesar do decreto que revogou a homenagem anterior, a administração continuou a utilizar o nome envolvido. Isso levou à conclusão de que a simples descontinuação formal não é suficiente para excluir as implicações da legislação vigente, em especial quando a prática contraria os fundamentos estabelecidos pela Constituição Brasileira.
Ação Popular e seus Efeitos
A ação popular que questionou a continuidade do uso do nome da ex-primeira-dama trouxe à tona a importância do controle social nas decisões administrativas. O cidadão tem o direito e o dever de intervir quando notar ações que possam ferir a moralidade administrativa.
Multas e Prazos para Adequação
O juiz estabeleceu um prazo de 15 dias para que a municipalidade eliminasse a menção à ex-primeira-dama, sob pena de multa diária de R$ 500, com um teto de R$ 30 mil. Essa medida dolorosa visa garantir que a decisão da Justiça seja respeitada, promovendo a legalidade e moralidade nos atos administrativos.
Legalidade na Nomeação de Bens Públicos
O artigo 37 da Constituição Federal é claro em determinar que a administração pública deve observar a legalidade, a impessoalidade e a moralidade. Assim, qualquer ato que contrarie esses princípios deve ser questionado e revogado para garantir a ética na gestão pública.
O Papel do Ministério Público na Questão
O Ministério Público desempenha um papel crucial na fiscalização do cumprimento das normas jurídicas que regem a administração pública. Ao intervir em casos como o de Atibaia, busca garantir que os princípios constitucionais sejam respeitados, agindo em defesa do interesse coletivo e do bem público.


