Sarna humana: como identificar e tratar a doença que suspendeu aulas em escola de Atibaia

Uma escola municipal de Atibaia, no interior de São Paulo, suspendeu as aulas em 23 de outubro de 2026 após registrar 71 casos de sarna humana entre alunos e professores. A escabiose, como também é chamada, provoca coceira intensa.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a doença é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei variedade hominis. A dermatologista Marcela Cestari, do Sírio-Libanês, afirma que a enfermidade não tem relação com falta de higiene.

A transmissão ocorre pelo contato prolongado com pessoas ou objetos contaminados, e a coceira costuma piorar à noite, de acordo com as informações médicas citadas. A doença pode aparecer em casas, escolas e creches.

sarna humana

O diagnóstico clínico, os cuidados com pessoas próximas e o tratamento são pontos abordados pela dermatologista. Cestari também alerta para formas mais graves em idosos e pessoas imunossuprimidas.

Transmissão, sintomas e diagnóstico da escabiose

As lesões da sarna humana podem se parecer com espinhas e aparecer entre os dedos, nos punhos, nas axilas, na cintura, nos genitais e nas nádegas. A distribuição dessas marcas ajuda a orientar a avaliação da pele.

Coçar as lesões pode provocar uma infecção bacteriana, segundo a dermatologista Marcela Cestari, do Sírio-Libanês. Idosos e pessoas imunossuprimidas podem desenvolver a forma crostosa da escabiose, descrita pela médica como mais grave e muito contagiosa.

O diagnóstico é clínico e considera o exame da pele e a história do paciente. Cestari aponta como pista a ocorrência de coceira noturna em várias pessoas da mesma casa ou turma.



Coceira persistente ou contato com alguém diagnosticado são motivos para procurar atendimento médico. A avaliação deve ser rápida se houver pus, febre ou crostas amareladas ou grossas; em bebês, as lesões também podem atingir a cabeça, as palmas das mãos e as plantas dos pés.

Tratamento, prevenção e persistência da coceira

O tratamento da escabiose requer avaliação médica e pode incluir permetrina, em loção aplicada no corpo todo, do pescoço para baixo, ou ivermectina por via oral. A ivermectina não deve ser usada por gestantes nem por crianças com menos de 15 kg, conforme a orientação citada por Cestari.

A terapia é feita em duas etapas: a primeira elimina os ácaros, mas pode não matar todos os ovos presentes na pele. Por isso, a aplicação é repetida após uma semana, para eliminar os ácaros que eclodiram nesse intervalo antes que cresçam e voltem a se reproduzir.

Quando há um caso, a médica recomenda tratar no mesmo dia o paciente e todas as pessoas com contato próximo, mesmo sem sintomas, pois a transmissão pode ocorrer antes da coceira. Roupas, toalhas e lençóis usados nos três dias anteriores ao começo do tratamento devem ser lavados com água quente ou mantidos em saco plástico por alguns dias; o ácaro sobrevive pouco tempo fora da pele.

Quem tem escabiose deve ficar afastado de ambientes coletivos até iniciar o tratamento, e a criança geralmente pode retornar à escola depois do começo da terapia, se ela tiver sido feita corretamente. A suspensão de aulas pode organizar a avaliação e as orientações às famílias, mas, segundo Cestari, não interrompe sozinha a transmissão, que também ocorre entre contatos próximos em casa; a coceira pode persistir por algumas semanas após a cura e, se durar mais de duas a quatro semanas ou surgirem novas lesões, é necessária nova avaliação médica.



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